24 de julho de 2010

«A minha alma glorifica o Senhor» [Lc 1,46]







  • Maria cheia de graça
  • A obra de misericórdia de Deus
  • Mensageira da Boa nova
  • Uma espada de dor trespassará o teu coração
  • Maria guardava todas estas coisas no seu coração
  • Felizes os que escutam a palavra de Deus e a põem em prática
  • Num total abandono ao que Deus espera e quer


Magnificat
A minha alma glorifica ao Senhor *

e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.

Porque pôs os olhos na humildade da sua serva: *

de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações

O Todo-poderoso fez em mim maravilhas: *

Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração *

sobre aqueles que O temem.


Manifestou o poder do seu braço *

e dispersou os soberbos.

Derrubou os poderosos de seus tronos *

e exaltou os humildes.

Aos famintos encheu de bens *

e aos ricos despediu de mãos vazios.

Acolheu a Israel, seu servo, *

lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, *

a Abraão e à sua descendência para sempre.

21 de julho de 2010

«Vós sois as testemunhas destas coisas» [Lc 24,48]







Tempo de saborear e contemplar

Actos dos Apóstolos 2,1-13
  • Quando chegou o dia de Pentecostes
  • Um som comparável ao de forte rajada de vento
  • Línguas de fogo
  • Pousou uma sobre cada um deles
  • Cada um os ouvia falar na sua própria língua
  • Vindos de todas as nações
  • Que significa isto?
  • O tempo do coração novo
  • Uma igreja universal
  • Oposto a Babel


Tempo de escuta interior
Os Actos dos Apóstolos — Partindo da verdejante Galileia, Lucas conduz-nos aos confins do mundo, no dom do Espírito que chama a viver ao ritmo poderoso e imprevisível de Deus. Na Igreja, ao serviço de todos os seres humanos, nos irmãos e irmãs. Pedro e os outros discípulos precederam-nos no caminho da missão. É sempre o Espírito que nos impele e conduz. Precede o apóstolo. Inspira-lhe as palavras, ao mesmo tempo em que as desperta naquele que encontram. Mas é preciso que o discípulo consinta nesse sopro de Deus sobre si derramado, transformando a sua vida num Pentecostes renovado. E depois, segue-se o caminho do Apóstolo.
E os actos do discípulo tornam-se justamente o título do livro que Lucas apresenta a seguir ao seu evangelho: os Actos dos Apóstolos. A minha vida encontra-se assim, pouco a pouco, aberta a outros horizontes, liberta de inúmeros entraves: dinheiro, honras, poder... para se tornar vida de serviço, alimentada na oração e nos sacramentos, no encontro com Vivente. Compreendo melhor as palavras que Jesus dirige a Pedro: Faz-te ao largo... lança as redes, em águas profundas. E ainda: farei de ti pescador de homens. Pelo eco que estas palavras têm em mim, sei bem que elas se dirigem tanto a mim como a Pedro.
Que o Espírito Santo me aqueça com o fogo do seu amor, para que, também eu, me torne apóstolo. Como Pedro e os outros, que eu me deixe conduzir pelos caminhos dos seres humanos, confiando nesta Igreja que se faz ao largo no sopro do Espírito do Senhor.

A Igreja no sopro do Espírito — Na conclusão deste sétimo dia, podemos retomar o texto de Lucas que narra o milagre de Pentecostes e meditá-lo ainda com essas palavras recebidas como um dom: «Quem é o cristão de pentecostes? Retomemos o relato de Lucas. É antes de mais o homem que reza em comunidade: todos, unânimes, eram assíduos à oração. Além disso, é assíduo ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fracção do pão eucarístico. Eis a Igreja do Pentecostes. É sobre ela que desce o Espírito. Não um Espírito anónimo, mas o Espírito de Cristo, aquele que assegura a presença viva de Jesus, que retoma as palavras de Jesus para as traduzir na língua dos seres humanos e não na língua dos anjos. (1Co 13,1). O cristão, em comunhão com os seus irmãos na fé, é alguém que agita a cidade. O cristão desconcerta e faz ficar maravilhado, até que se pergunte: o que é que isto quer dizer? Não dispersa, mas congrega. Não divide, mas une. Inquieta-se, mas não se perturba. Como o fogo, ele nunca diz ‘basta’».

19 de julho de 2010

«Porque buscais entre o Vivente entre os mortos?» [Lc 24,5]







Tempo de saborear e contemplar

Lucas 24,1-12
  • A visita das mulheres ao túmulo
  • A mensagem dos anjos
  • O encontro do vivente
  • Não está aqui, ressuscitou
  • Compreender o desígnio de Deus
  • Passar pelas Escrituras para compreender

Lucas 24,13-49
  • A Palavra e o Pão
  • Ressurreição da memória
  • O Testemunho das mulheres
  • O encontro com Pedro
  • Viver, desde já, como ressuscitados

Tempo de escuta interior

O despertar da memória, da fé, do encontro — O caminho conduz, portanto, ao túmulo, ao lugar onde Jesus foi levado deste mundo, como Lucas gosta de dizer (cf. Lucas 9,51). Mas para que a mensagem dos anjos ressoe para sempre: Porque buscais o Vivente entre os mortos? Não está aqui; ressuscitou! Consigo compreender que o que importa, nestes momentos de vazio e de medo que posso ter, é despertar a memória, para ouvir de novo e guardar, no mais profundo do meu coração, as palavras do mensageiro da graça de Deus: Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galileia, dizendo que o Filho do Homem havia de ser entregue às mãos dos pecadores, ser crucificado e ressuscitar ao terceiro dia. No caminho, através do rosto e das pessoas encontradas, em momentos particulares da minha existência, no silêncio frequente e mesmo nas provações, nos cânticos e nas palavras ouvidas, seguindo os peregrinos de Emaús, faço também eu a experiência de que Ele nos fala pelo caminho e nos explica as Escrituras. Que Ele me faz compreender, à sua maneira e segundo o que eu posso entender, a natureza do desígnio de Deus para a minha vida. Grandes palavras, é certo, para a minha pequena experiência. Mas eu fui atravessado mais do que uma vez por esta presença do Deus da Vida: Porque buscais o Vivente entre os mortos? Realmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!


Ensina-me, Senhor… Vem ressuscitar-me — Rezo com as palavras da Igreja, que dizem aqueles que oram ao longo dos dias, ao longo dos meses. Que o Vivente me dê a superabundância da sua Vida, que desperte em mim a aurora da ressurreição, que me instrua com as suas palavras de fogo.


Bate à minha porta,

Tu que vens desestabilizar-me.

Bate à minha porta,

Tu vens ressuscitar-me.


Não sei o dia nem a hora,

Mas sei que és Tu, Senhor.


Bate à minha porta,

Todo o vento do teu Espírito

Bate à minha porta,

O grito de todos os meus irmãos.


Bate à minha porta,

O grito dos teus famintos

Bate à minha porta,

As cadeias do prisioneiro.


Bate à minha porta, Tu,

a miséria do mundo,

Bate à minha porta,

O Deus de toda a minha alegria.

18 de julho de 2010

«Eu estou no meio de vós como aquele que serve» [Lc 22,27]








Tempo de saborear e contemplar

Lucas 22,24-27
  • Quem é o maior?
  • O que for o maior entre vós tome lugar daquele que serve
  • À maneira de Jesus
  • Jesus caminha resolutamente para Jerusalém
  • Misericórdia e ternura
  • Verdadeiramente este homem era justo
  • A vida oferecida para que a humanidade seja salva
  • A lei do amor fraterno
  • O serviço de todos
Lucas 9,46-48 e 10,29-37
  • Como Jesus, acolher os mais pequenos
  • O próximo, seja ele quem for
  • Servidores

Tempo de escuta interior
Dar se, humilhar — As palavras de Cristo são fortes, sem concessões. Vêm iluminar fortemente espaços da minha vida onde me acomodo, às vezes, numa certa penumbra. Ser discípulo é ouvir também as advertências de Jesus investigando, até à última raiz, as tentações de poder que ameaçam toda a minha vida. Aprender a viver o exercício das minhas responsabilidades ou do meu poder como um lugar ou um tempo de serviço, no qual Deus é reconhecido no rosto do irmão, é este o compromisso recebido do ensino de Jesus. Escrevia D. Hélder da Câmara: «é de tal maneira fácil dar como uma árvore da sombra do alto da sua grandeza! Mas como é difícil dar sem humilhar, como um irmão que não faz senão o seu dever, que partilha com os irmãos aquilo que lhes pertence também».


Reconhecer a acção de Deus — Porque eu me reconheço amado por Deus, aprendo a amar e a servir como Deus ama e serve. Eu sei bem que o verdadeiro valor do serviço que faço não vem daquilo que eu faço, mas daquilo que Deus realiza em mim e por mim. Porque tudo aquilo que eu tenho recebi-o d’Ele e tudo aquilo que eu sou, dou-lhe. Aprendendo a reconhecer a obra de Deus nos outros; alegro-me daquilo que cada um traz à comunidade e à sociedade. Dirão alguns que é uma questão de bom senso, mas está aí o segredo do espírito de serviço: reconhecer a acção de Deus nos outros. Além disso, maravilhar-se diante daquilo que os outros trazem pela sua presença, o seu saber-fazer, o seu amor, etc. e dar, em retorno, o melhor de mim mesmo. A estima e o reconhecimento substituem assim a pretensão e as rivalidades que às vezes aparecem. Mesmo na minha maneira de servir, eu mudo de atitude. Descubro que, para servir, é preciso antes de mais aceitar os outros e aquilo que eles têm para oferecer. Porquê insistir sobre este ponto? Porque não é raro que as rivalidades e pretensões venham perverter a noção de serviço. Agarrado ao seu estatuto e aos seus méritos, ávido de honras que acompanham as funções que se exerce, esquecemos que mesmo a nossa maneira de servir deve converter-se. Que aqueles a quem, um tal caminho de conversão, possa assustar, ouçam as maravilhosas recomendações de Jesus: Estejam apertados os vossos cintos e acesas as vossas lâmpadas. Sede semelhantes aos homens que esperam o seu senhor ao voltar da boda, para lhe abrirem a porta quando ele chegar e bater. Felizes aqueles servos a quem o senhor, quando vier, encontrar vigilantes! Em verdade vos digo: Vai cingir-se, mandará que se ponham à mesa e há-de servi-los. E, se vier pela meia-noite ou de madrugada, e assim os encontrar, felizes serão eles. Vai cingir-se, mandará que se ponham à mesa e há-de servi-los. Que há de mais belo para falar da grandeza de Deus que, à imagem de Jesus assumindo o último lugar, se faz nosso servidor: não é isto que cada Eucaristia nos dá já a viver?


O amor de Cristo nos impele — «Cristo ocupou o último lugar no mundo - a cruz - e, precisamente com esta humildade radical, nos redimiu e ajuda sem cessar. Quem se acha em condições de ajudar há-de reconhecer que, precisamente deste modo, é ajudado ele próprio também; não é mérito seu nem título de glória o facto de poder ajudar. Esta tarefa é graça. Quanto mais alguém trabalhar pelos outros, tanto melhor compreenderá e assumirá como própria esta palavra de Cristo: ‘Somos servos inúteis’ (Lc 17,10). Na realidade, ele reconhece que age, não em virtude de uma superioridade ou uma maior eficiência pessoal, mas porque o Senhor lhe concedeu este dom. Às vezes, a excessiva vastidão das necessidades e as limitações do próprio agir poderão expô-lo à tentação do desânimo. Mas é precisamente então que lhe serve de ajuda saber que, em última instância, ele não passa de um instrumento nas mãos do Senhor; libertar-se-á assim da presunção de dever realizar, pessoalmente e sozinho, o necessário melhoramento do mundo. Com humildade, fará o que lhe for possível realizar e, com humildade, confiará o resto ao Senhor. É Deus quem governa o mundo, não nós. Prestamos-Lhe apenas o nosso serviço por quanto podemos e até onde Ele nos dá a força. Mas, fazer tudo o que nos for possível e com a força de que dispomos, tal é o dever que mantém o servo bom de Cristo sempre em movimento: ‘O amor de Cristo nos constrange’» (2Cor 5,14) .

«Onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração» [Lc 12,34]






Tempo de saborear e contemplar

Lucas 12,16-21
  • Havia um homem rico, a quem as terras deram uma grande colheita
  • Insensato
Lucas 16,19-31
  • Ouvir a Lei e os profetas
  • A gravidade das escolhas que fazemos
  • Enriquecer diante de Deus
  • Não podeis servir a Deus e ao dinheiro
  • Exame de consciência
  • Deixar-se gerar por Deus
  • Dar sem fazer cálculos
Actos dos Apóstolos 2,44-45 e 4,32-35
  • Colocar os seus bens em comum
  • Ideal ou realidade?
  • O dever da partilha e da caridade

Tempo de escuta interior
Onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração — Deixo esta frase de Jesus ecoar em mim. Ela envia-me ao mais íntimo de mim, àquilo que habita o meu coração. Qual é o lugar do dinheiro e dos bens materiais na minha vida? Compreendi bem que servir a Deus não é desprezar o dinheiro, mas usá-lo livremente, para que seja um instrumento de desenvolvimento e de solidariedade ao serviço do Reino. Sou verdadeiramente livre? A ponto de dar, e de dar sem fazer cálculo? Para me libertar do perigo da idolatria dos bens materiais, o Evangelho indica-me um caminho: aceitar não ser o senhor da sua vida, colocar a sua fé em Deus e abrir-se livremente à obra do Espírito santo. Peço ao Senhor que me ensine a libertar-me de tudo o que é inútil, para que possa construir a minha vida voltado para o essencial.


Permanecer amigo de todos os seres humanos e amigo de Jesus: São Francisco de Assis — «O irmão não o esperava na sua cela. Surpreso e confundido, não sabia o que pensar e dizer. Manifestamente, não compreendia. Permanecia com a cabeça baixa, silencioso. O próprio Francisco, passada a sua primeira reacção, está perturbado diante deste silêncio. Tinha-lhe falado uma linguagem rude, talvez demasiado rude. Quis explicar-lhe porque agia assim, dizer-lhe longa e claramente todo o seu pensamento. Mostrar-lhe que não tinha nada contra a ciência nem contra a propriedade em geral, mas que ele sabia – o filho do rico comerciante de tecidos de Assis – quanto é difícil possuir alguma coisa e permanecer amigo de todos os seres humanos e, sobretudo, amigo de Jesus Cristo. Que quando alguém se esforça para constituir o «seu depósito», é o fim de uma verdadeira comunidade de irmãos e amigos. Que não podemos fazer com que o homem que tem bastantes bens não assuma espontaneamente uma atitude de defesa em relação aos outros. Era isto que ele tinha explicado ao bispo de Assis que se espantava da excessiva pobreza dos seus irmãos: «’Senhor bispo, declarou-lhe ele, se tivéssemos alguma posse, precisaríamos de armas para nos defender’». [Éloi Leclerc, Sagesse d’un pauvre, Éditions Franciscaines, Paris 1984, p. 40-41].

17 de julho de 2010

Momento de oração






Bem-aventuranças

Felizes vós, os pobres,

porque vosso é o Reino de Deus.

Felizes vós, os que agora tendes fome,

porque sereis saciados.

Felizes vós, os que agora chorais,

porque haveis de rir.

Felizes sereis, quando os homens vos odiarem,

quando vos expulsarem,

vos insultarem

e rejeitarem o vosso nome como infame,

por causa do Filho do Homem.

Alegrai-vos e exultai nesse dia,

pois a vossa recompensa será grande no Céu.



Pai-Nosso

Pai,

santificado seja o teu nome;

venha o teu Reino;

dá-nos o nosso pão de cada dia;

perdoa os nossos pecados,

pois também nós perdoamos

a todo aquele que nos ofende;

e não nos deixes cair em tentação.

15 de julho de 2010

«Quando orardes, dizei» [Lc 11,2]






Tempo de saborear e contemplar

Lucas 11,1-13
  • Senhor, ensina-nos a rezar
  • Na intimidade de Jesus com o Pai
  • Características específicas de Lucas
  • Uma única oração
  • Desejar o Reino de Deus
  • Pedir a Deus o essencial
  • Pedir o perdão
  • Não ser exposto à tentação
  • Pedi e dar-se-vos-à; batei e abrir-se-vos-à

Lucas 11,5-13 e 18,1-8
  • Pedir o Espírito Santo
  • A necessidade de rezar constantemente
  • Manter-se firme na provação e continuar a acreditar
  • Meu Deus, tende piedade de mim que sou pecador

Lucas 18,9-14
  • Justificado por Deus

Tempo de escuta interior
Tornar-se filho… e irmãos — As palavras de Jesus, ao fio das parábolas, ensinam-me a rezar. Ensinam-me a confiança na oração. Ensinam-me a perseverança, mais forte que a fadiga ou a dúvida. Fazem nascer em mim o desejo de me tornar filho ou filha de Deus e, portanto, irmão de cada um e de todos. Fazem-me descobrir a importância do Espírito Santo. Para que os meus projectos e as minhas expectativas correspondam cada vez mais ao desígnio de Deus.

O Pai-nosso ilumina-se assim diante de uma nova claridade. Porque não nos tornamos justos graças aos nossos méritos, mas reconhecendo a nossa condição de pecadores, eu dou graças ao Filho por me conceder entrar na intimidade que o une ao seu Pai. Com confiança e verdade, posso dizer: Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador.
«Deus, observa o Irmão Léon, reclama o nosso esforço e a nossa fidelidade.
– Sim, sem dúvida, responde Francisco. Mas a santidade não é uma realização de si mesmo, nem uma plenitude que damos a nós próprios. É antes de mais um vazio que descobrimos e que aceitamos e que Deus vem preencher na medida em que nos abrimos à sua plenitude. A nossa insignificância, vê lá tu, se a aceitamos, pode tornar-se espaço livre onde Deus pode criar». [Éloi Leclerc, Sagesse d’un pauvre, Éditions Franciscaines, Paris 1984, p 114].

14 de julho de 2010

«Faz-te ao largo» [Lc 5,4]





Tempo de saborear e contemplar
Lucas 5,1-11
  • À ordem de Jesus, lançar as redes
  • A palavra de Jesus, para além das expectativas
  • Pedro, a rocha
  • Pescador de homens
  • Eles seguiram-no

Lucas 22,31-34 e 22,54-62
  • Roguei por ti, para que a tua fé não desapareça
  • Fortalece os teus irmãos
  • O olhar de Jesus
  • O encontro com Jesus ressuscitado

Tempo de escuta interior
Faz-te ao largo — Antes de deixar ecoar este chamamento do Senhor no mais íntimo do meu coração, recordo as diferentes cenas rapidamente percorridas: Pedro que, perante a palavra de Jesus, lança as redes, depois reconhece seu pecado diante da pesca extraordinária que faz e decide deixar tudo para seguir aquele que quer fazer dele um pescador de homens… Jesus, mais tarde, assegura a Pedro a sua oração para que ele não desfaleça e possa, quando chegar o momento, fortalecer a fé dos seus irmãos… Jesus que pousa o seu olhar sobre Pedro e este, no dia de Páscoa, que O contempla no esplendor da ressurreição. Mas para que Pedro faça a experiência da graça que vem de Deus, e que a sua fragilidade seja convertida numa força sem igual, fez falta que, num dia de pesca, Pedro respondesse ao chamamento daquele que o convidava a fazer-se ao largo. Num acto de abandono e confiança total, ele aceitou então não ser mais o senhor da sua história. Deixou tudo. Porquê hesitar ainda? A palavra de Jesus não desilude. Ela é criadora.

Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre — Prosseguimos a nossa meditação lendo esta passagem (nº 1) da carta apostólica No início do novo milénio (novo millenio ineunte). Maravilha e confiança são as palavras-chave. «No início do novo milénio quando se encerra o Grande Jubileu, em que celebrámos os dois mil anos do nascimento de Jesus, e um novo percurso de estrada se abre para a Igreja, ressoam no nosso coração as palavras com que um dia Jesus, depois de ter falado às multidões a partir da barca de Simão, convidou o Apóstolo a ‘fazer-se ao largo’ para a pesca: ‘Duc in altum’ (Lucas 5,4). Pedro e os primeiros companheiros confiaram na palavra de Cristo e lançaram as redes. ‘Assim fizeram e apanharam uma grande quantidade de peixe’ (Lucas 5,6).
Duc in altum! Estas palavras ressoam hoje aos nossos ouvidos, convidando-nos a lembrar com gratidão o passado, a viver com paixão o presente, abrir-se com confiança ao futuro: ‘Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre’ (Hebreus 13,8)».

«Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura» [Lc 4,21]





Tempo de saborear e contemplar
Lucas 4, 16-30

  • Com o poder do Espírito
  • Todos tinha os olhos fixos nele
  • Hoje cumpriu-se esta passagem da Escritura
  • Acolher a revelação de Jesus
  • Todos davam testemunho
  • Médico, cura-te a ti mesmo
  • Para além das fronteiras de Israel
  • Cheios de cólera
  • Passando pelo meio deles seguiu o seu caminho
  • O programa de Jesus
  • A graça de Deus oferecida também aos pagãos

Tempo de Escuta Interior

Retomar o caminho e avançar, de começo em começo — Para prosseguir a leitura e a meditação desta passagem do ministério de Jesus, determinante para Lucas, mas essencial sobretudo para toda a vida cristã, relemos as últimas palavras do Irmão Roger, fundador da Comunidade de Taizé. Nestes parágrafos ressoa com força e delicadeza o convite de Jesus para acolher nas nossas vidas o Hoje de Amor de Deus por todos os seres humanos.
«Deus é amor». Basta compreendermos estas três palavras para podermos ir longe, muito longe. O que nos cativa nestas palavras? É encontrar nelas esta certeza luminosa: Deus não enviou Cristo à terra para condenar quem quer que seja, mas para que todo o ser humano se saiba amado e possa encontrar um caminho de comunhão com Deus.
Estaremos bem conscientes? Deus confia tanto em nós que dirige a cada um de nós um chamamento. O que é esse chamamento? É o convite a amar como ele nos ama. E não há amor mais profundo do que ir até ao dom de si próprio, por Deus e pelos outros.
Quem vive de Deus escolhe amar. E um coração decidido a amar pode irradiar uma bondade sem limites. Para quem procura amar com confiança, a vida enche-se de uma beleza serena.
Quando a Igreja sabe amar e compreender o mistério de todo o ser humano, quando incansavelmente escuta, consola e cura, torna-se o que ela é no mais luminoso dela própria: límpido reflexo de uma comunhão.
Procurar reconciliação e paz supõe uma luta interior. Não é um caminho de facilidade. Nada de duradouro se constrói na facilidade. O espírito de comunhão não é ingénuo, é coração que se alarga, é bondade profunda que recusa dar ouvidos à desconfiança.
Para sermos portadores de comunhão, será que avançaremos, nas nossas vidas, pelo caminho da confiança e de uma bondade do coração sempre renovada?
Nesse caminho encontraremos por vezes contratempos. Lembremo-nos então que a fonte da paz e da comunhão está em Deus. Em vez de nos desanimarmos, invocaremos o seu Espírito Santo sobre as nossas fragilidades.
E, ao longo de toda a vida, o Espírito Santo ajudar-nos-á a retomar o caminho e a ir, de começo em começo, em direcção a um futuro de paz.

13 de julho de 2010

«Maria escolheu a melhor parte» [Lc 10,42]





  • Testemunhas da acção de deus e do poder do seu amor
  • Com segurança e sem entraves
  • Seguir Lucas nos caminhos da ternura de Deus
  • O hoje de Deus
  • Acolher Jesus Salvador
  • Escolher a melhor parte

Sentada aos pés do seu Mestre, na atitude do discípulo que está pronto a acolher o seu ensino, Maria escolheu a melhor parte. Mas Jesus não despreza os esforços de Marta, apenas recorda uma coisa essencial: para assegurar bem o serviço é necessário pôr-se à escuta da Palavra que faz viver. Porque é a única maneira de acolher Aquele que vem habitar em nós para que nós habitemos plenamente as nossas vidas (cf. Lc 19,5). Eis o que pode esclarecer o percurso que se abre diante de nós.

Se a isso acrescentamos o facto de que Jesus aqui designado por Marta como «Senhor» – um título que a comunidade cristã reservava ao Ressuscitado: «Senhor, não te preocupa que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe, pois, que me venha ajudar» (Lc 10,40; crf Ac 2,36) compreendemos que colocar-se à escuta desta Palavra é tornar-se disponível para a sua obra de Ressurreição em nós e à nossa volta. Estou pronto para isso?

12 de julho de 2010

Imprensa 3



Correio do Minho - 12 de Julho

Imprensa 2

Correio do Minho - 11 de Julho

Imprensa 1

Diário do Minho - 11 de Julho

10 de julho de 2010

10 de Julho


Estamos pronto para a aventura! Somos 140! Quando regressarmos daremos notícias!

8 de julho de 2010

24.º Capítulo

Porque buscais o Vivente entre os mortos? Não está aqui; ressuscitou! Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galileia…
Nesse mesmo dia, dois dos discípulos iam a caminho de uma aldeia chamada Emaús, que ficava a cerca de duas léguas de Jerusalém; e conversavam entre si sobre tudo o que acontecera.
Depois, levou-os até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, separou-se deles e elevava-se ao Céu. E eles, depois de se terem prostrado diante dele, voltaram para Jerusalém com grande alegria. E estavam continuamente no templo a bendizer a Deus.
Não está aqui; ressuscitou!
Encontrá-lo no caminho e nas horas sem esperança, na palavra e na fracção do pão.
Anunciar a salvação no Espírito Santo e na alegria.

7 de julho de 2010

Lucas, o evangelho da oração




Em 9, 18-24 (Um dia, quando orava em particular, estando com Ele apenas os discípulos…) Lucas «começa por nos apresentar Jesus a rezar sozinho, o que acontece imensas vezes em Lucas, que é, por isso, também chamado o ‘Evangelho da oração’. E ‘orar’ é, em sentido genuíno, etimológico, orientar a nossa vida toda para Deus, entregar a Deus a nossa vida toda, para que seja Ele a olhar para nós, por nós! É importante sabermos, informa-nos o narrador, que os seus discípulos estavam com Ele. Estar com Ele é o ‘lugar feliz’ do discípulo de todos os tempos. Estar sem Ele é sempre um ‘não-lugar’. Se for este o caso, temos rapidamente de mudar de lugar!» (António Couto).
 

23.º Capítulo

Jesus dizia: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem».
«Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso.
Dando um forte grito, Jesus exclamou: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.» Dito isto, expirou.
O perdão do justo na cruz.
O hoje da salvação.

6 de julho de 2010

22.º Capítulo

Quando chegou a hora, pôs-se à mesa e os Apóstolos com Ele. [...] Tomou, então, o pão e, depois de dar graças, partiu-o e distribuiu-o por eles, dizendo: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós; fazei isto em minha memória.» Depois da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: «Este cálice é a nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós».
A paixão do profeta-servidor.
A última ceia.
O processo de Jesus

O mundo de Lucas



A qualidade e o domínio do grego comum (chamado «koiné»), o estilo elegante

das passagens que lhe são próprias, a arte de narrar, o facto de assumir
certos processos dos historiadores e escritores gregos, são alguns
indicadores que atestam que Lucas é um homem culto do mundo helenista, isto
é, da civilização grega posterior a Alexandre Magno.


Lucas é uma testemunha da inculturação do Evangelho no mundo grego. O seu
evangelho reflecte a preocupação de transmitir e tornar inteligível e
acessível a mensagem de Cristo para as gentes que não estão familiarizadas
com o universo bíblico no qual Deus se revelou.


Era importante para Lucas inscrever correctamente no curso da história os
acontecimentos que narra para mostrar a sua realidade e verdade. Por isso,
optou por escrever à maneira dos historiadores gregos, tal como anuncia no
prólogo do evangelho. Esclarece o seu método, fornece as suas fontes,
escolhe os seus materiais e fixa o seu objectivo para produzir um relato
ordenado. Esta ordem é, no entanto, mais didáctica que cronólogica, porque o
autor quer transmitir o ensino de Jesus e traçar o retrato do autêntico
discípulo. O mesmo método será igualmente aplicado nos Actos dos Apóstolos,
onde Lucas narra a expansão da evangelização desde Jerusalém até Roma,
coração do Império. (Yves Guillemette, Introduction à l'évangile selon saint
Luc).

5 de julho de 2010

Perguntas ao prof. João Alberto Correia (3)




Grupo Raízes: Evangelho de Lucas - Actos dos Apóstolos: podemos dizer que são duas pinturas de um mesmo painel. Que sinais no texto, na temática, na teologia podemos encontrar que nos fazem ler ambas as obras como se fossem dois capítulos do mesmo livro? 

Prof. João Alberto:
A unidade Lucas-Actos foi já defendida em 1679 por J. Lightfoot e é hoje admitida pela generalidade dos exegetas que, para isso, se apoiam nos critérios da língua, do estilo e da teologia de ambos os escritos. Eis os aspectos formais que indiciam esta unidade:
- Act 1, 1 (“no meu primeiro livro”) requer a existência de um outro livro. Sendo um começo semelhante ao do segundo livro da obra de Flávio José “Contro Apione” (“no meu primeiro livro desta obra…”), parece espelhar uma prática corrente na historiografia da época.
- O final de Lucas (24, 44-53) está ligado ao começo de Actos (1, 1-11). Além disso, Act 1, 1 evoca necessariamente Lc 1, 1-4. Esta prática era frequente no método historiográfico do tempo de Lucas.
- Dado que Lucas é escrito pelos anos 80, “os factos que entre nós se consumaram” (Lc 1, 1) abarcam necessariamente toda a obra de Jesus e da comunidade cristã contidos em Lucas e Actos respectivamente.
Porém, os argumentos mais preciosos para a afirmação desta unidade provêem da análise estrutural de toda a obra de Lucas. Para esta análise, partimos de três critérios:
§  geográfico: sublinha a centralidade de Jerusalém, ponto de partida e de chegada em Lucas e Actos;
§  literário: sublinha a ligação entre as introduções e as conclusões dos dois livros;
§  literário-temático: fundamenta-se em paralelismos que evidenciam a semelhança entre Jesus e o Baptista (cfr. Lc 1, 5 - 4, 44) e entre a história de Jesus, a dos seus apóstolos e a da sua comunidade.

Critério geográfico-simbólico: Jerusalém
Jerusalém ocorre em Lucas-Actos numa proporção muito superior à do NT. O evangelho da infância (1, 5-2, 52) começa no templo, em Jerusalém, e aí termina com o episódio de Jesus entre os doutores. O evangelho vai terminar com as aparições de Jesus ressuscitado em Jerusalém (Lc 24).
Todos os exegetas estão de acordo sobre a importância teológico-estrutural do motivo literário “ir para Jerusalém” que divide em quatro etapas a “viagem de Jesus para Jerusalém”, coração do evangelho (cfr. Lc 9, 51; 13, 22; 17, 11; 19, 28).
Também nos Actos, Jerusalém ocupa uma função estrutural. Até Act 8, 1, a Igreja ex-pande-se em Jerusalém. Jerusalém é a cidade onde é celebrado o concílio, coração dos Actos (15). A cidade santa é o ponto de chegada da 2ª viagem de Paulo e o ponto de partida da terceira (18, 23), assim como a meta desta. Nesta terceira viagem, é interessante notar que Paulo pressente a ameaça de morte (20, 16.22; 21, 4.12.13.15.17), motivo semelhante ao da predição da morte de Jesus durante o seu caminho para Jerusalém (cfr. Lc 9, 21-22.43-45; 18, 31-34).
Concluindo: Jerusalém é um elemento estruturante quer em Lucas quer em Actos, ainda que mais claro no evangelho que nos Actos.

Critério literário: a introdução e a conclusão
Os dois prólogos (Lc 1, 1-4; Act 1, 1-2) evocam-se mutuamente. Além disso, a intro-dução narrativa dos dois livros (Lc 1, 5 - 4, 44; Act 1, 3-8, 1) tem na forte presença do Espírito um elemento comum (18x em Lc 1-4; 24 em Act 1-7).
Também a conclusão do evangelho (Lc 24) e o início dos Actos (Act 1) estão in-trinsecamente ligados pelos motivos que, a seguir, elencamos:
- os apóstolos são designados “testemunhas” (Lc 24, 48; Act 1, 8);
- “começando por Jerusalém” (Lc 24, 47; Act  1, 8   -“em Jerusalém”-);
- Jesus vai enviar a promessa do Pai (Lc 24, 49; Act 1, 4 -“Prometido do Pai”-);
- os apóstolos são convidados a permanecerem na cidade até serem revestidos com a força do Alto (cfr. Lc 24, 49; Act 1, 8 –“ides receber uma força, a do Espírito Santo”-);
- a ascensão (cfr. Lc 24, 50-53; Act 1, 9-11).
Lc 24, 44-47 pode ser visto como um prelúdio dos discursos da primeira parte dos Actos dos Apóstolos. O anúncio da salvação, partindo de Jerusalém, alcançará todos os povos.
Além da notável inclusão (a inclusão é um processo literário que, retomando no fim de um relato ou livro o que se disse no princípio, mostra que a obra está terminada e forma um todo) que estrutura e delimita o livro dos Actos (o Reino de Deus e o que diz respeito a Jesus são os aspectos comuns), podemos também falar de uma inclusão entre o começo de Lucas e o fim dos Actos: Lucas transmite quanto lhe haviam transmitido a si (cfr. Lc 1, 1-4), tal como Paulo, em Roma, anunciava o Reino de Deus e ensinava o que dizia respeito ao Senhor Jesus Cristo (cfr. Act 28, 31).

Critérios temáticos: os paralelismos
O paralelismo é típico de Lucas e encontra-se quer no interior do próprio evangelho (veja-se o paralelismo entre João Baptista e Cristo) quer entre o evangelho e os Actos: o evangelho da infância e particularmente o hino dos anjos (2, 10-11) tem a sua ressonância no evangelho (19, 38) e nos Actos (10, 36). Também o hino de Simeão (2, 30-32) ecoa no fim dos Actos (28, 28).
Um outro paralelismo evidente resulta da comparação entre a morte de Cristo e a de Estêvão, particularmente a invocação final (cfr. Lc 23, 46 e Act 7, 59) e no perdão pedido para aqueles que os matam (cfr. Lc 23, 34; Act 7, 60).
O terceiro paralelismo encontramo-lo no caminho de Jesus e Paulo para Jerusalém e o pressentimento da morte violenta, de que já falámos.

21.º Capítulo


Durante o dia, Jesus estava no templo a ensinar; mas saía para passar a noite no Monte das Oliveiras. E todo o povo, de madrugada, ia ter com Ele ao templo, para o escutar.
As moedas da viúva.
Profecia sobre a destruição do Templo
Presságios do fim
Perseguições por causa do evangelho
Castigo de Jerusalém

4 de julho de 2010

Perguntas ao prof. João Alberto Correia (2)




Grupo Raízes: Descobrimos no nosso estudo que há bastantes passagens específicas de Lucas.  Qual o objectivo que o autor pretende com esta especificidade?

Prof. João Alberto:
Lucas é o evangelista que possui mais textos que lhe são próprios. Numa teologia que acentua a dimensão histórica da salvação e releva a humanidade de Jesus Cristo em que se manifesta a misericórdia de Deus, Lucas pretende reflectir sobre assuntos que não haviam sido abordados ou suficientemente desenvolvidos pelos outros evangelistas. São disso exemplo, entre outros, as narrativas da infância (Lc 1-2), as parábolas da misericórdia (Lc 15) e a narrativa pascal dos discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35).E tudo tem a ver com a sensibilidade literária e teológica de Lucas, assim como com os seus destinatários. Sendo eles maioritariamente de língua e cultura grega, perceber-se-á o por quê de tantas passagens específicas onde se faz a ponte entre a mensagem cristã e os motivos literário-teológicos da cultura grega. Lucas propõe um cristianismo inclusivo e sugere que este se constrói do lado da hospitalidade.

20.º Capítulo


Num daqueles dias, estando Ele no templo a ensinar o povo e a anunciar a Boa-Nova, apresentaram-se os sumos sacerdotes, os doutores da Lei e os anciãos e dirigiram-lhe a palavra, dizendo: «Diz-nos com que autoridade fazes estas coisas, ou quem te deu tal autoridade.»

Deus e Israel: uma eterna relação de amor, mas nem sempre correspondida.
O tributo a César.
A ressurreição dos mortos.

3 de julho de 2010

Perguntas ao prof. João Alberto Correia (1)





O grupo de jovens «Raízes», responsável pela iniciativa «Sete horas a caminhar com São Lucas», pediu também ao Prof. Pe. João Alberto Correia (docente de Sagrada Escritura, na Universidade Católica - Centro Regional de Braga) que respondesse a três questões sobre a obra de Lucas.
Publicamente agradecemos ao prof. João Alberto a sua disponibilidade e a partilha do seu estudo e reflexão.

Grupo Raízes: Onde e quando foi escrito o Evangelho de São Lucas? Quem é Lucas? Qual é ou quais são os destinatários deste evangelho: Teófilo, uma comunidade concreta ou várias comunidades?

 Prof. João Alberto:
Não se sabe ao certo onde foi escrito o Evangelho de Lucas. As hipóteses colocadas pelos estudiosos são muitas: parece tratar-se de uma cidade helenística, seja da Grécia, seja de Alexandria ou de Cesareia Marítima. 

Lucas teria escrito na década de oitenta do primeiro século da era cristã.

Lucas é um cristão da segunda geração cristã (vem na sequência dos apóstolos), de cultura grega e procedência pagã. A tradição segundo a qual Lucas seria um dos 72 apóstolos (Lc 10, 1) é do século IV (Epifânio) e não encontra fundamento escriturístico.

Do ponto de vista literário, o destinatário do Terceiro Evangelho é Teófilo. Sabendo que Teófilo significa "amigo de Deus", a maior parte dos estudiosos é de opinião que não se trata de um personagem concreto, mas o protótipo de todos os crentes. A ser assim, o evangelho será dirigido a todos os cristãos (a universalidade da mensagem salvífica é uma das suas marcas), ainda que pudesse ter como destinatários imediatos os membros da comunidade cristã a que Lucas pertenceria. De uma coisa parece não haver dúvidas: Lucas pretende incluir nos seus destinatários cristãos de sensibilidade judaica e grega.

19.º Capítulo

Jesus disse-lhe: «Hoje veio a salvação a esta casa, por este ser também filho de Abraão; pois, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.»

Zaqueu, quero ficar em tua casa! Acolhes-me?
Mais uma parábola sobre a rejeição e a responsabilidade; ser fiel e dar fruto.
Depois do caminho para Jerusalém, a chegada: «Depois, entrando no templo…» (19,45).
A ruína de Jerusalém.

2 de julho de 2010

Palavra divina, palavra humana


Na Bíblia, toda a palavra do céu que nos alcança passa pela terra, portanto por um ponto particular no espaço e no tempo. Daí o seu sabor e o seu limite. Por exemplo, estaríamos mais seguros sobre Moisés se o próprio Moisés nos falasse. Mas é humano que na história de um povo se continue a falar de um grande homem muito tempo depois dele: os ecos mais longínquos são historicamente menos seguros. Deus não impede isso e até o utiliza. E isto vale também para os evangelhos. A palavra de Deus permanece humana: Deus economiza as revelações directas e não dá, em geral, visões sobre o passado longínquo, o que asseguraria uma melhor exactidão histórica. É necessário ter isto em conta quando lemos os relatos.


Humano significa que não é suficiente interessar-nos por aquilo que é dito: é preciso ocupar-se também daquele que fala: Deus revela-se não apenas por ele mas nele. A sua própria maneira de falar é já uma revelação. Portanto, é preciso perguntar-se: como é, quem é, onde está aquele que fala.

Não teríamos necessidade deste género de estudos, se Deus passasse por cima daquele que fala e o utiliza-se como uma telegrafista ou um carteiro. Deus inspira uma palavra: não é a mesma coisa que a ditar. Desde Pio XII (Divino afflante Spiritu, 1943), a Igreja convida-nos com insistência a percorrer este caminho com fórmulas como «maneira de falar, estilo, género literário, hábitos de linguagem de um homem e de uma época», etc. Os limites e as fragilidades que encontramos não nos autorizam a dizer que não estamos perante a palavra de Deus. Ela é sempre de Deus mesmo nas nossas fragilidades e talvez sobretudo por elas. (Paul Beauchamp, Parler d’Écritures Saintes, Le Seuil, Paris 1987).

18.º Capítulo

Tomando os Doze consigo, Jesus disse-lhes: «Olhai, subimos agora a Jerusalém e vai cumprir-se tudo o que foi escrito pelos profetas acerca do Filho do Homem: vai ser entregue aos gentios, vai ser escarnecido, maltratado e coberto de escarros; e, depois de o açoitarem, vão dar-lhe a morte. Mas, ao terceiro dia, ressuscitará.» Eles, porém, nada disto entenderam. Aquela linguagem era incompreensível para eles, e não entendiam o que lhes dizia.
Orar com perseverança.
Orar com humildade.
De novo a riqueza como um empecilho para entrar no Reino de Deus?
Aproxima-se a paixão.
Há cegos que vêm.

1 de julho de 2010

O Jesus «nobre» de Lucas



Um pequeno parágrafo de Raymond E. Brown, exegeta norte-americano, sobre a forma como os evangelhos apresentam a identidade de Jesus à luz do seu ministério público, ou seja, a partir daquilo que Jesus diz e faz, na sua vida pública, que identidade podemos apreender. «Como Marcos, Lucas não apresenta os discípulos confessando Jesus como Filho de Deus durante o seu ministério público, mas dirigindo-se a Ele como Senhor, de maneira que os leitores estão conscientes da profunda identidade cristológica de Jesus. Lucas não descreverá, com demasiado detalhe, a humilhação de Jesus; detalhes que podemos testemunhar no relato da paixão de Marcos e Mateus. Por exemplo, Lucas não assume de Marcos que, no Getsemani, Jesus tinha uma tristeza de morte, que estava horrorizado e abatido, que se prostrou por terra e que exclamou na cruz: ‘Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?’. Lucas também não contará os detalhes do comportamento vergonhoso que, durante a paixão, tiveram os discípulos e que são descritos por Marcos e Mateus; nem que Jesus prenunciou que perderiam a sua fé e se dispersariam; nem que Jesus os encontrou três vezes a dormir e que Pedro o negou; nem que todos fugiram. O Jesus nobre de Lucas, que está em paz com Deus e consigo mesmo (Lucas 23,46), tem uns discípulos que permanecem junto d’Ele nas provações (Lucas 22,28)». (Raymond E. Brown, Introducción a la cristología del nuevo testamento, Sígueme 2001).

17.º Capítulo

Interrogado pelos fariseus sobre quando chegaria o Reino de Deus, Jesus respondeu-lhes:
«O Reino de Deus não vem de maneira ostensiva. Ninguém poderá afirmar: ‘Ei-lo aqui’ ou ‘Ei-lo ali’, pois o Reino de Deus está entre vós.».
 ·       Indicações sobre a vida comunitária.
·        O cuidado com os mais pequenos.
·        Servir com humildade.
·        Quando e onde observar o Reino.
·        Jesus identifica progressivamente a vinda do Reino com a sua própria presença.

30 de junho de 2010

16.º Capítulo

Havia um homem rico, que tinha um administrador; e este foi acusado perante ele de lhe dissipar os bens.
Arranjai amigos com o dinheiro desonesto, para que, quando este faltar, eles vos recebam nas moradas eternas.
Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e fazia todos os dias esplêndidos banquetes. Um pobre, chamado Lázaro, jazia ao seu portão, coberto de chagas.
Um capítulo dedicado quase exclusivamente ao dinheiro!!!
Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.

29 de junho de 2010

Lucas e as mulheres



De novo um pequeno parágrafo de Anselm Grün, que nos abre outra perspectiva da obra de Lucas. «Lucas fala das mulheres como nenhum outro. E não apenas porque nos informa que Jesus era acompanhado, além dos Doze, por algumas mulheres ( Lucas 8,2-3), mas também que as mulheres eram discípulos no mesmo sentido em que o eram os homens. Lucas toca o coração das mulheres, porque não moraliza, mas narra histórias. E Lucas é amado pelas mulheres porque não escreve teoricamente, mas sempre em relação aos seus leitores e leitoras. Através da sua escrita, ele suscita relações. No seu evangelho há outra qualidade, uma qualidade humana. Lucas é hoje tão actual como então e pode aproximar-nos de novo desse Jesus que se tornou afastado para muitos. A imagem que Lucas tem de Jesus é atraente, fascinante. Não é simplesmente harmónica e limpa, pois também nos mostra muitas coisas deste Jesus que nos colocam em conflito. É preciso sentar-se com ele. Não se pode passar ao lado. Ele provoca-nos com algumas das suas declarações e, ao mesmo tempo, fascina-nos com a sua arte e a maneira de falar e actuar». (Anselm Grün, Jesús, imagen de los hombres. El evangelio de Lucas)