8 de junho de 2010

Os símbolos dos evangelistas




No livro do profeta Ezequiel – 1,5-10 – pode ler-se: «E ao centro, distinguia-se a imagem de quatro seres viventes, todos com aspecto humano. Mas cada um tinha quatro faces e quatro asas. As suas pernas eram direitas e as plantas dos pés assemelhavam-se às do boi e cintilavam como bronze polido. Debaixo das asas, nos quatro lados, apareciam mãos humanas; as faces e as asas dirigiam-se para os quatro pontos cardeais. As asas estavam ligadas umas às outras; quando avançavam, não se viravam para os lados; cada um dos seres viventes caminhava sempre em frente. No que toca ao seu aspecto, tinham face de homem, à frente; mas os quatro tinham uma face de leão, à direita, uma face de touro, à esquerda e uma face de águia, à retaguarda»

«Os quatro seres vivos parecem ser o suporte da abóboda sobre a qual se encontra a semelhança do trono. O número quatro é conhecido como símbolo da totalidade, mesmo para nós hoje quando falamos dos ‘quatro pontos cardeais’. A presença destes quatro seres vivos ‘todos com aspecto humano’ simboliza aqui a totalidade do mundo» (Jesus-Maria Asurmendi).

No livro do Apocalipse – 4,6-7 – lê-se: «Diante do trono havia também uma espécie de mar de vidro, transparente como cristal. No meio do trono e à volta do trono havia ainda quatro seres viventes cobertos de olhos por diante e por detrás: o primeiro vivente era semelhante a um leão; o segundo era semelhante a um touro; o terceiro tinha uma face semelhante à de um homem e o quarto era semelhante a uma águia em voo».

A tradição cristã vinculou estes quatro seres ao anúncio do evangelho quadriforme: Mateus, Marcos, Lucas e João.  Desde o séc. II, Ireneu de Lyon reconhecia nos quatro evangelistas os quatro Seres Vivos da visão de Ezequiel, também presentes, como acima se refere, no livro do Apocalipse. Ireneu associava o leão a João, cujo prólogo afirma o poder e a superioridade do Verbo. O touro, animal associado ao sacrifício, era atribuído a Lucas cujo evangelho começa e termina pela referência ao Templo.
Na medida em que o texto de Mateus começa com a genealogia de Jesus segundo a carne, Ireneu atribuiu-lhe o símbolo do Homem. A águia era entendida como uma alusão ao espírito profético que anima João Baptista no primeiro capítulo do evangelho de Marcos.
Mais tarde, São Jerónimo retomou esta exegese, mas inverteu os símbolos de Marcos e João. E foi esta a distribuição final até aos dias de hoje: Mateus – homem; Marcos – leão; Lucas – touro; João - águia. 
Os artistas aproveitaram abundantemente esta exegese, usando esta simbologia para a identificação dos evangelhos.

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