18 de julho de 2010

«Eu estou no meio de vós como aquele que serve» [Lc 22,27]








Tempo de saborear e contemplar

Lucas 22,24-27
  • Quem é o maior?
  • O que for o maior entre vós tome lugar daquele que serve
  • À maneira de Jesus
  • Jesus caminha resolutamente para Jerusalém
  • Misericórdia e ternura
  • Verdadeiramente este homem era justo
  • A vida oferecida para que a humanidade seja salva
  • A lei do amor fraterno
  • O serviço de todos
Lucas 9,46-48 e 10,29-37
  • Como Jesus, acolher os mais pequenos
  • O próximo, seja ele quem for
  • Servidores

Tempo de escuta interior
Dar se, humilhar — As palavras de Cristo são fortes, sem concessões. Vêm iluminar fortemente espaços da minha vida onde me acomodo, às vezes, numa certa penumbra. Ser discípulo é ouvir também as advertências de Jesus investigando, até à última raiz, as tentações de poder que ameaçam toda a minha vida. Aprender a viver o exercício das minhas responsabilidades ou do meu poder como um lugar ou um tempo de serviço, no qual Deus é reconhecido no rosto do irmão, é este o compromisso recebido do ensino de Jesus. Escrevia D. Hélder da Câmara: «é de tal maneira fácil dar como uma árvore da sombra do alto da sua grandeza! Mas como é difícil dar sem humilhar, como um irmão que não faz senão o seu dever, que partilha com os irmãos aquilo que lhes pertence também».


Reconhecer a acção de Deus — Porque eu me reconheço amado por Deus, aprendo a amar e a servir como Deus ama e serve. Eu sei bem que o verdadeiro valor do serviço que faço não vem daquilo que eu faço, mas daquilo que Deus realiza em mim e por mim. Porque tudo aquilo que eu tenho recebi-o d’Ele e tudo aquilo que eu sou, dou-lhe. Aprendendo a reconhecer a obra de Deus nos outros; alegro-me daquilo que cada um traz à comunidade e à sociedade. Dirão alguns que é uma questão de bom senso, mas está aí o segredo do espírito de serviço: reconhecer a acção de Deus nos outros. Além disso, maravilhar-se diante daquilo que os outros trazem pela sua presença, o seu saber-fazer, o seu amor, etc. e dar, em retorno, o melhor de mim mesmo. A estima e o reconhecimento substituem assim a pretensão e as rivalidades que às vezes aparecem. Mesmo na minha maneira de servir, eu mudo de atitude. Descubro que, para servir, é preciso antes de mais aceitar os outros e aquilo que eles têm para oferecer. Porquê insistir sobre este ponto? Porque não é raro que as rivalidades e pretensões venham perverter a noção de serviço. Agarrado ao seu estatuto e aos seus méritos, ávido de honras que acompanham as funções que se exerce, esquecemos que mesmo a nossa maneira de servir deve converter-se. Que aqueles a quem, um tal caminho de conversão, possa assustar, ouçam as maravilhosas recomendações de Jesus: Estejam apertados os vossos cintos e acesas as vossas lâmpadas. Sede semelhantes aos homens que esperam o seu senhor ao voltar da boda, para lhe abrirem a porta quando ele chegar e bater. Felizes aqueles servos a quem o senhor, quando vier, encontrar vigilantes! Em verdade vos digo: Vai cingir-se, mandará que se ponham à mesa e há-de servi-los. E, se vier pela meia-noite ou de madrugada, e assim os encontrar, felizes serão eles. Vai cingir-se, mandará que se ponham à mesa e há-de servi-los. Que há de mais belo para falar da grandeza de Deus que, à imagem de Jesus assumindo o último lugar, se faz nosso servidor: não é isto que cada Eucaristia nos dá já a viver?


O amor de Cristo nos impele — «Cristo ocupou o último lugar no mundo - a cruz - e, precisamente com esta humildade radical, nos redimiu e ajuda sem cessar. Quem se acha em condições de ajudar há-de reconhecer que, precisamente deste modo, é ajudado ele próprio também; não é mérito seu nem título de glória o facto de poder ajudar. Esta tarefa é graça. Quanto mais alguém trabalhar pelos outros, tanto melhor compreenderá e assumirá como própria esta palavra de Cristo: ‘Somos servos inúteis’ (Lc 17,10). Na realidade, ele reconhece que age, não em virtude de uma superioridade ou uma maior eficiência pessoal, mas porque o Senhor lhe concedeu este dom. Às vezes, a excessiva vastidão das necessidades e as limitações do próprio agir poderão expô-lo à tentação do desânimo. Mas é precisamente então que lhe serve de ajuda saber que, em última instância, ele não passa de um instrumento nas mãos do Senhor; libertar-se-á assim da presunção de dever realizar, pessoalmente e sozinho, o necessário melhoramento do mundo. Com humildade, fará o que lhe for possível realizar e, com humildade, confiará o resto ao Senhor. É Deus quem governa o mundo, não nós. Prestamos-Lhe apenas o nosso serviço por quanto podemos e até onde Ele nos dá a força. Mas, fazer tudo o que nos for possível e com a força de que dispomos, tal é o dever que mantém o servo bom de Cristo sempre em movimento: ‘O amor de Cristo nos constrange’» (2Cor 5,14) .

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