1 de julho de 2010

O Jesus «nobre» de Lucas



Um pequeno parágrafo de Raymond E. Brown, exegeta norte-americano, sobre a forma como os evangelhos apresentam a identidade de Jesus à luz do seu ministério público, ou seja, a partir daquilo que Jesus diz e faz, na sua vida pública, que identidade podemos apreender. «Como Marcos, Lucas não apresenta os discípulos confessando Jesus como Filho de Deus durante o seu ministério público, mas dirigindo-se a Ele como Senhor, de maneira que os leitores estão conscientes da profunda identidade cristológica de Jesus. Lucas não descreverá, com demasiado detalhe, a humilhação de Jesus; detalhes que podemos testemunhar no relato da paixão de Marcos e Mateus. Por exemplo, Lucas não assume de Marcos que, no Getsemani, Jesus tinha uma tristeza de morte, que estava horrorizado e abatido, que se prostrou por terra e que exclamou na cruz: ‘Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?’. Lucas também não contará os detalhes do comportamento vergonhoso que, durante a paixão, tiveram os discípulos e que são descritos por Marcos e Mateus; nem que Jesus prenunciou que perderiam a sua fé e se dispersariam; nem que Jesus os encontrou três vezes a dormir e que Pedro o negou; nem que todos fugiram. O Jesus nobre de Lucas, que está em paz com Deus e consigo mesmo (Lucas 23,46), tem uns discípulos que permanecem junto d’Ele nas provações (Lucas 22,28)». (Raymond E. Brown, Introducción a la cristología del nuevo testamento, Sígueme 2001).

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