4 de julho de 2010

Perguntas ao prof. João Alberto Correia (2)




Grupo Raízes: Descobrimos no nosso estudo que há bastantes passagens específicas de Lucas.  Qual o objectivo que o autor pretende com esta especificidade?

Prof. João Alberto:
Lucas é o evangelista que possui mais textos que lhe são próprios. Numa teologia que acentua a dimensão histórica da salvação e releva a humanidade de Jesus Cristo em que se manifesta a misericórdia de Deus, Lucas pretende reflectir sobre assuntos que não haviam sido abordados ou suficientemente desenvolvidos pelos outros evangelistas. São disso exemplo, entre outros, as narrativas da infância (Lc 1-2), as parábolas da misericórdia (Lc 15) e a narrativa pascal dos discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35).E tudo tem a ver com a sensibilidade literária e teológica de Lucas, assim como com os seus destinatários. Sendo eles maioritariamente de língua e cultura grega, perceber-se-á o por quê de tantas passagens específicas onde se faz a ponte entre a mensagem cristã e os motivos literário-teológicos da cultura grega. Lucas propõe um cristianismo inclusivo e sugere que este se constrói do lado da hospitalidade.

1 comentário:

  1. O ENVIO dos 72 discípulos que hoje se apresenta diante de nós, em Lucas 10,1-20, é um exclusivo do Evangelho de Lucas e vinca bem a qualidade missionária deste Evangelho, que faz missionários, não apenas os Doze, mas todos os discípulos de Jesus! Sem equívocos: ser cristão ou discípulo de Jesus é ser missionário. Ser missionário não é uma segunda vocação, facultativa, uma espécie de adorno ou adereço que pode advir a alguns cristãos. Sempre sem equívocos: SER CRISTÃO É SER MISSIONÁRIO! É viver intensamente de Jesus e com Jesus, e partir para levar Jesus ao coração dos nossos irmãos. A grande Apóstola das ruas de Ivry, Madeleine Delbrêl (1904-1964), dizia as coisas assim, de maneira contundente, como evangélicas facas de dois gumes: «A missão não é facultativa. Os meios ateus [e indiferentes] em que vivemos impõem-nos uma escolha: MISSÃO OU DEMISSÃO CRISTû. (comentário de D. António Couto)

    ResponderEliminar

10 de Julho, venha lá!